O que é raiz de amargura?

raiz de amargura

Muitas pessoas têm dúvida sobre o que a Bíblia quer dizer com o termo raiz de amargura.

Será que se trata de amargura contra os outros? Ou rancor contra Deus? Ou não tem nada a ver com isso? Leia o texto para entender esse assunto biblicamente.

O que a Bíblia diz sobre a raiz de amargura?

Hebreus 12:14-17:

“Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da Graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados; nem haja algum impuro ou profano, como foi Esaú, o qual, por um repasto, vendeu o seu direito de primogenitura. Pois sabeis também que, posteriormente, querendo herdar a benção, foi rejeitado, pois não achou lugar de arrependimento, embora, com lágrimas, o tivesse buscado.”

Normalmente quando lemos a Bíblia, já lemos com conceitos pré-determinados relacionados a doutrinas, ou significado de conceitos ou palavras. Assim, quando fazemos uma leitura sem questionarmos o que estamos lendo em seu real significado, aplicamos nosso entendimento e com base nisto, definimos o que cremos e como vivemos.

Além disso, muita coisa que acreditamos nos foi dito ou ensinado por alguém que confiamos, mas poucas coisas são verificadas à luz das escrituras, seja devido à idéia de que ler a Bíblia é difícil, ou ainda pela preguiça que os cristãos hoje tem de estudar a Bíblia. É sabido, devido às várias pesquisas da SBB que pouquíssimos cristãos lêem a Bíblia. Outro dia vi uma pesquisa que apenas 51% dos pastores leram a Bíblia toda. Se imaginarmos que muitos devem ter tido vergonha de dizer que não leram, podemos imaginar que esse número é maior. Imagina como fica isso relacionado com os Cristãos comuns.

Mais um problema! Devido ao sentimento antinomista que existe dentro da Igreja, ou seja, de que o Antigo Testamento perdeu seu valor e agora devemos viver única e exclusivamente voltados para o Novo Testamento, muitas vezes as pessoas ao ler o Novo Testamento deparam-se com passagens que são referências diretas ao Antigo Testamento, mas como não leram ou não prestaram atenção, começam a dar suas próprias interpretações pessoais sobre o assunto. É o caso dessa passagem.

Passei muito tempo da minha vida cristã acreditando em duas coisas erradas, que foram corrigidas de uma vez quando estudei a passagem que transcrevi acima. A primeira crença que tinha era a de que a expressão “raiz de amargura” significava algo relacionado com mágoa, rancor, normalmente gerada por falta de perdão que “amargurava” a pessoa. Claro que esse entendimento é razoável, em vista do significado da palavra amargura hoje, sempre relacionado com algo próxima a depressão.

A segunda crença era que caso uma pessoa se convertesse ao Senhor Jesus e posteriormente se afastasse do caminho, voltando a suas antigas práticas, caso estivesse no leito de morte, poderia se arrepender de tudo e ser salvo. Assim, já ouvi algumas pessoas, em tom jocoso, afirmarem que vão viver um pouco à sua própria maneira, e depois se voltarão para Deus, certamente com a intenção de não irem pro inferno.

As passagens do livro de Hebreus que dizem que não há perdão ou lugar de arrependimento (são três ao todo, nos capítulos 6, 10 e 12) sempre me incomodaram, por contrastar com a idéia cristã de perdão incondicional e à vontade. Também idéia de que a blasfêmia contra o Espírito Santo seria o único pecado sem perdão, o pecado imperdoável ou o pecado para a morte, me fazia entender que o resto tinha sempre e quanto quisesse.

No entanto, lendo a passagem de Deuteronômio que vou descrever abaixo, entendi as implicações do texto de Hebreus. Diz assim Deuteronômio 29:18-20:

“…para que, entre vós, não haja homem, nem mulher, nem família, nem tribo cujo coração, hoje, se desvie do SENHOR, nosso Deus, e vá servir aos deuses destas nações; para que não haja entre vós raiz que produza erva venenosa e amarga, ninguém que, ouvindo as palavras dessa maldição, se abençoe no seu íntimo, dizendo: ‘Terei paz, ainda que ande na perversidade do meu coração, para acrescentar à sede a bebedice’. O SENHOR não lhe quererá perdoar; antes, fumegará a ira do SENHOR e o seu zelo sobre tal homem, e toda a maldição escrita neste livro jazerá sobre ele; e o SENHOR lhe apagará o nome de debaixo do céu.”

Analisando a passagem que o Autor do livro de Hebreus tinha em mente, observamos uma advertência expressa, que o SENHOR não quer perdoar determinadas atitudes. Quais? As atitudes de agir segundo sua própria perversidade, segundo seu próprio conselho, e acreditar que será salvo pela “Graça”, entendendo que pode pecar a vontade que depois é só pedir perdão, essa é chamada por Moisés de “raiz que produz erva venenosa e amarga”, a Raiz de Amargura que o escritor de Hebreus alude.

Raiz de Amargura não tem nenhum significado relacionado com mágoa, angústia, ou rancor gerado por falta de perdão ao próximo, mas significa o padrão de pensamento que posso pecar e depois é só pedir perdão que Deus me perdoa.

É importante notar que em Hebreus temos uma advertência sobre cuidar para não se separar da Graça de Deus. A Graça de Deus é ampla e suficiente para perdoar os pecados do homem, quantas vezes forem necessárias e o mesmo pecado se repetido várias vezes. Mas a idéia de “passar a perna” em Deus, muitas vezes ocorre na mente de alguns Cristãos. A idéia mesmo que camuflada de, “ah, vou cometer esse pecado um pouco, porque só vou ter essa oportunidade, mas depois me arrependo” “vou participar desse negócio escuso, desse furto aqui na empresa, mas depois que não tiver mais essa oportunidade eu arrependo”, ou ainda ” vou viver na igreja mas também no pecado, e quando estiver perto da morte, no leito de morte, peço perdão e serei perdoado”.

Esse pensamento é maligno e satânico, porque tem levado muitas pessoas pro inferno, que com essa filosofia muitas vezes morrem até sem culpa, já que essa é subjacente, depende de conceitos que cada um possui, mas tem uma grande surpresa do outro lado. A Bíblia relata muitas passagens onde as pessoas encontram Jesus do outro lado e dizem “Senhor, curei as pessoas, expulsei os demônios, fiz milagres em Seu nome”, mas ouvirão de Jesus “nunca conheci vocês, não sei quem são”. É grande o número de pessoas que morrem baseadas em uma falsa crença de salvação, em um conceito libertino da Graça de Deus.

O perdão de Deus é oferecido de Graça a todos, mas de Deus não se zomba. O Autor de Hebreus termina a passagem que citamos com um exemplo de Esaú, que buscou perdão com lágrimas, mas foi rejeitado, porque adotou esse padrão de comportamento.

De fato o alerta de Hebreus é real e atual. Cuide, com diligência, para que não seja separado da Graça de Deus, porque isso pode acontecer. E, acontecendo, todos os seus benefícios, inclusive o perdão, são retirados.

Se você está vivendo assim em alguma área de sua vida, pare. Humilhe-se diante de Deus, peça perdão, arrependa-se enquanto você ainda pode pecar e escolher parar de pecar, por Amor a Deus, por arrependimento sincero, não por medo do inferno a beira da morte, quando essa realidade se torna nítida ao moribundo. Não chegue a esse nível, para que a Graça de Deus superabunde em sua vida, nos pecados que você já cometeu, sem essa malícia diabólica de enganar a Deus, de aproveitar essa vida ímpia e depois invocar a cláusula da Graça diante do tribunal divino, porque “horrível coisa é cair nas mãos do Deus Vivo”.

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