Dentro de uma célula, a matéria está organizada de uma maneira extraordinária: há instruções que podem ser armazenadas, copiadas e utilizadas para construir as estruturas de que a vida depende. O DNA participa desse sistema. Entender o que ele faz nos conduz a uma pergunta que vai além de sua composição química: de onde vieram essas instruções? É a partir dessa pergunta que Stephen Meyer desenvolve seu argumento a favor de uma mente por trás da origem da vida.
O DNA guarda instruções para a vida
O DNA é uma molécula. Ele tem estrutura, propriedades químicas e interage com outras moléculas. Mas sua importância para a vida também está na informação armazenada na sequência de suas bases, representadas pelas letras A, T, C e G.
Pense em um programa de computador. Os componentes físicos permitem que o computador funcione, enquanto a sequência de instruções determina o que ele executa. Uma comparação semelhante ajuda a compreender o DNA: conhecer seus componentes químicos é uma parte da explicação; compreender a organização das instruções é outra.
Nos genes que codificam proteínas, a sequência do DNA é transcrita em RNA. O RNA mensageiro é então lido pelos ribossomos, com a participação de outras moléculas, para montar cadeias de aminoácidos. Essas cadeias formam proteínas que realizam inúmeras tarefas. O código genético estabelece a correspondência entre as sequências lidas e os aminoácidos usados nessa montagem.

Quatro exemplos do que essas instruções permitem fazer
Em diferentes células e tecidos, as instruções do DNA permitem produzir moléculas com funções bem definidas:
- Insulina: as instruções do DNA permitem que células do pâncreas produzam esse hormônio, que ajuda a regular a glicose no sangue.
- Hemoglobina: instruções genéticas orientam a produção de seus componentes durante a formação dos glóbulos vermelhos, permitindo o transporte de oxigênio.
- Colágeno: o DNA fornece instruções para produzir componentes dessa proteína, que dá resistência e sustentação à pele, aos ossos e aos tendões.
- Reparo do DNA: há genes com instruções para produzir proteínas que ajudam a corrigir erros na cópia da própria informação genética.

A pergunta sobre a origem da vida inclui a origem das instruções e dos sistemas que permitem utilizá-las.
O que conhecemos capaz de gerar informação codificada?
Quando lemos um livro, recebemos uma mensagem escrita por alguém. Quando usamos um aplicativo, um equipamento executa instruções elaboradas por programadores. Nos sistemas de comunicação que criamos, uma mente organiza sinais para que outra pessoa — ou um dispositivo preparado para isso — possa interpretá-los.
A tinta tem propriedades químicas, mas a análise da tinta não explica o argumento escrito na página. Um computador funciona segundo leis físicas, mas a descrição de seus circuitos não substitui a explicação de como seu programa foi elaborado. O suporte material e a organização das instruções são aspectos distintos.

Essa distinção ajuda a entender o ponto de Meyer. Ele chama a atenção para sequências que, além de terem muitos arranjos possíveis, realizam funções específicas. É o sentido de informação complexa e especificada em seu argumento: uma organização que corresponde a um resultado funcional, em vez de uma simples repetição de padrões.

A tese de Meyer é que a inteligência constitui a única causa conhecida com capacidade demonstrada de produzir o tipo de informação funcional complexa cuja origem ele procura explicar. Por isso, propõe que a informação biológica seja examinada como um indício de ação inteligente. Esse é o centro de sua defesa do design inteligente.
Se a informação aponta para uma mente, que mente é essa?
Não observamos diretamente o começo da vida. Para investigar sua origem, examinamos os vestígios presentes e perguntamos que causas são capazes de produzi-los. Meyer aplica esse raciocínio à informação biológica. Seu argumento pode ser acompanhado em três passos:
- O efeito a explicar: a vida depende de informação funcional e de processos capazes de utilizá-la.
- A causa proposta: a inteligência tem capacidade de selecionar e organizar elementos para realizar funções.
- A conclusão de Meyer: uma causa inteligente é a melhor explicação para a origem da informação necessária à primeira vida.
Esse modo de raciocinar é chamado de inferência à melhor explicação. A proposta é reconhecer na causa aquilo que pode explicar o efeito. Uma inscrição, por exemplo, nos leva a considerar a atividade de alguém que organizou seus sinais, mesmo quando não vimos o momento em que foram gravados.

Existe explicação naturalista para a origem da informação?
Pesquisadores buscam explicar a origem da informação na célula por processos naturais, sem recorrer a uma mente. Uma das hipóteses mais conhecidas é o mundo de RNA: antes do DNA e das proteínas, moléculas de RNA surgidas por processos químicos teriam armazenado informação e participado de sua própria replicação.
Para Meyer, porém, essa proposta ainda está muito distante de uma explicação satisfatória. O desafio permanece: como surgiram as sequências capazes de permitir a replicação e o funcionamento desses primeiros sistemas? Em seu argumento, propor um RNA que se replica não resolve, por si só, a origem da informação necessária para isso. Ele aprofunda essa crítica em seu ensaio sobre o enigma do DNA.
No SEMIB, reconhecemos Deus como essa mente criadora
Dentro de nossa formação, entendemos que a melhor explicação para esse dilema é que Deus é a mente responsável pela informação que tornou a vida possível. A organização funcional da célula encontra sentido, para nós, na ação de um Criador inteligente.
Essa leitura está em harmonia com a compreensão cristã de um Deus que cria com sabedoria e propósito. O mundo pode ser investigado, sua organização pode ser compreendida e suas leis podem ser estudadas porque a criação procede de uma mente racional.
A distinção entre o argumento e nossa identificação do Criador ajuda a acompanhar o raciocínio: Meyer defende a inferência de uma causa inteligente; nós, no SEMIB, compreendemos essa inteligência à luz da fé no Deus criador. É assim que utilizamos esse referencial na reflexão sobre criação e evolução.
Conheça o livro e o trabalho de Stephen Meyer
Quem deseja acompanhar esse argumento com mais profundidade encontrará uma exposição extensa em Signature in the Cell: DNA and the Evidence for Intelligent Design, de Stephen C. Meyer. Em tradução livre, o título significa Assinatura na célula: DNA e a evidência do design inteligente.
Publicado originalmente em 2009, o livro combina história das descobertas, explicação dos conceitos e análise das causas propostas para a origem da vida. Recomendamos a leitura a quem deseja compreender como Meyer constrói seu argumento. Você pode consultar a edição em inglês na Amazon e conhecer uma amostra oficial do primeiro capítulo.

Meyer é filósofo da ciência, com doutorado pela Universidade de Cambridge, e dirige o Center for Science and Culture do Discovery Institute. Seu trabalho procura relacionar as descobertas sobre a vida às perguntas sobre suas causas e origens.

Para continuar o estudo, conheça a trajetória e os trabalhos de Stephen Meyer e os artigos e materiais do Discovery Institute sobre design inteligente. São caminhos para acompanhar a argumentação em maior detalhe.
No SEMIB, usamos esse livro e esse argumento como um dos referenciais para pensar evolução e criação. Nossa formação convida o aluno a compreender os conceitos, acompanhar as razões apresentadas e relacionar esse estudo à sua fé e ao serviço cristão.
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